publicado a: 2015-11-05

Nutrição das culturas e resistência à incidência de pragas e doenças

A saúde das plantas é influenciada pelo ambiente, nomeadamente pelos fatores edáficos (estrutura, permeabilidade, nutrientes, acidez, matéria orgânica, etc.), biológicos (organismos do solo) e meteorológicos (pluviosidade, luz, temperatura, etc.)


MECANISMOS DE DEFESA DAS PLANTAS

Os mecanismos de resistência das plantas às pragas e doenças podem ser de natureza física ou química.
Como mecanismos de resistência física referem-se as alterações na estrutura das paredes celulares (espessamento da cutícula, reforço da parede celular, etc.), cujo objetivo é criar obstáculos à penetração das hifas dos fungos parasitas.

Como mecanismos de resistência química referem-se a produção pela planta de compostos com propriedades tóxicas e com efeito antibiótico, nomeadamente compostos fenólicos, como resposta a uma infeção.


PRINCÍPIOS DA INFEÇÃO POR FUNGOS E BACTÉRIAS

A germinação dos esporos dos fungos da parte aérea ou radicular é fortemente estimulada pela presença de exsudados foliares, cuja concentração em açúcares e aminoácidos depende de uma nutrição equilibrada. Por outro lado há uma relação entre a incidência de podridões moles (Erwinia e Xantomonas) e o teor em cálcio e boro, elementos necessários à formação da parede celular das células vegetais. Na sua falta, observa-se um fendilhamento dos tecidos que facilita a entrada das bactérias e dos fungos.


ESTADO DE FERTILIDADE DO SOLO E PROPENSÃO PARA A DOENÇA

A absorção de nutrientes pela raiz está condicionada não só pela presença real dos elementos no solo, como também pela capacidade da planta para os absorver (oportunidade de absorção). Por conseguinte a absorção dos nutrientes é condicionada por fatores da fertilidade do solo de vária ordem, nomeadamente, pelo arejamento do solo (porosidade, compressão, textura), teor de água, equilíbrio entre nutrientes na rizosfera, pH, salinidade, presença de organismos úteis, etc.

A falta de arejamento do solo tem um efeito negativo no desenvolvimento da planta, porque vai afetar a respiração da raiz, fonte de energia para a absorção de nutrientes e de água. O excesso de água ou a sua falta, afetam diretamente a saúde da planta tornando-a mais sensível à incidência de pragas ou doenças

A acidez ou alcalinidade do solo criam condições desfavoráveis à absorção de nutrientes e no caso da acidez, induzem a fitotoxicidade por elementos tais como o alumínio. A reação do solo pode também afetar a incidência de fungos do solo, por exemplo a potra é favorecida pelos solos ácidos enquanto a Phytophthora é favorecida pelos solos neutros a alcalinos.

A salinidade do solo vai afetar diretamente e de forma negativa a absorção de água e indiretamente a absorção de nutrientes.

Relativamente ao equilíbrio entre nutrientes, refere-se que tanto a falta dos elementos como o seu excesso vão induzir perturbações nos processos fisiológicos da planta, que se refletem negativamente no seu desenvolvimento e na resistência à invasão de determinado parasita (bactérias, fungos, nematodes).

Por último, refere-se a biodiversidade de organismos presentes no solo que, além de essencial à mineralização da matéria orgânica e à reciclagem de nutrientes, é fundamental ao controlo natural dos organismos parasitas. Como tal, a aplicação sistemática de fitofármacos ao solo, tais como nematodicidas e herbicidas, é de todo desaconselhada, pois induz a fortes desequilíbrios na flora e fauna útil do solo.

Entre os fatores acima enunciados, far-se-á uma especial referência ao equilíbrio entre o azoto e o potássio, e à importância do enxofre, do cálcio, do boro e do silício, na resistência da planta aos parasitas.


IMPORTÂNCIA DO EQUILÍBRIO ENTRE NUTRIENTES

Equilíbrio azoto/potássio

Mais que o teor de azoto disponível para absorção, o importante é que ele seja absorvido de forma equilibrada com o potássio. Por conseguinte, numa situação de carência em potássio, em que o azoto é absorvido em consumo de luxo, ocorre a acumulação de compostos solúveis (aminoácidos e açúcares) nas células, que constituindo um meio de nutrição ótimo para os parasitas, contribuem para diminuir a resistência das plantas ao seu ataque. Se, pelo contrário, a planta estiver bem nutrida em potássio, esses compostos já não se acumulam na planta (ex. situações de melhoria da resistência da videira aos ácaros através de adubações foliares com nitrato de potássio). O excesso de azoto inibe a formação de compostos fenólicos e a carência de potássio, como elemento que participa na síntese de polissacáridos (ex. amido) afeta a produção de lenhina.

Equilíbrio potássio/magnésio e potássio/cálcio

O desequilíbrio entre o potássio magnésio e cálcio pode conduzir à carência induzida em cálcio e potássio, elementos fundamentais para a resistência física dos tecidos celulares e à formação de exsudados ricos em açúcares e aminoácidos.

Papel do cálcio na resistência física da planta

O cálcio afeta a resistência da planta à instalação das doenças de dois modos: i) como elemento regulador da permeabilidade das membranas (regulando o fluxo de exsudados); ii) como elemento de estabilização da lamela média das células (resistência física à penetração dos parasitas)

Importância do enxofre e dos micronutrientes

O enxofre é um elemento constituinte de aminoácidos essenciais, que em situação de carência não só vai afetar o desenvolvimento da cultura, como também conduzir à acumulação de compostos azotados solúveis, tornando a planta mais suscetível aos parasitas.

O efeito benéfico do silício faz-se sentir ao nível das células da epiderme da folha, onde se acumula e dificulta a invasão dos tecidos pelos parasitas.
O boro e o zinco têm um papel semelhante ao cálcio, atuando a nível da permeabilidade da membrana celular. O cobre é necessário à produção de lenhina (resistência física da planta), e à produção de compostos fenólicos libertados pelas raízes das plantas, que têm uma ação tóxica sobre fungos do solo.


Fonte: SNAA

Textos de divulgação técnica da Estação de Avisos de Entre Douro e Minho no 09/2015/outubro - Ministério da Agricultura e do Mar/ DRAP-Norte

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